Na Fazenda Brasilanda, em Rio Verde (GO), propriedade de Patrícia Kompier, o foco está no reuso e na integração da água ao sistema produtivo. Segundo Marcelo Junqueira, médico veterinário e consultor do Grupo Kompier, a fazenda pratica a reutilização da água da chuva por meio da captação feita com calhas instaladas nos barracões, que direcionam esse volume para represas de armazenamento. A partir daí, a água é utilizada na lavagem das instalações e, posteriormente, retorna ao sistema para um novo aproveitamento.
Água retorna ao sistema e se transforma em insumo
Após o uso, essa água passa por um processo de separação dos dejetos em frações líquidas e sólidas. A parte líquida é então utilizada como adubo na irrigação e na produção de forragem para os animais.
“Essa água da chuva utilizamos na lavagem de instalações e volta a ser coletada novamente, dessa vez sofrendo um processo de separação dos dejetos em líquidos e sólidos, transformando-se em um adubo líquido, que é utilizado na irrigação e produção da forragem dos animais, voltando assim novamente ao sistema”, explica.
De acordo com Junqueira, esse ciclo de reutilização reduz o impacto ambiental da atividade e representa um modelo de uso mais eficiente dos recursos dentro da fazenda.
Redução de custos e impacto no solo
Além da questão ambiental, o sistema também traz reflexos no custo de produção. Segundo ele, a prática contribui para a redução dos gastos com adubação das forragens e com o manejo do solo. “Outro impacto é o financeiro, visto que reduzimos os custos de adubação nas forragens e cuidado do solo, melhorando a microbiota do mesmo”, afirma.
Sustentabilidade começa na conservação e no manejo
Para Junqueira, o cuidado com a água dentro das propriedades rurais começa pela conservação das nascentes e das áreas de preservação permanente (APPs), e se estende para investimentos em armazenamento, captação e tratamento de efluentes.
Água já pronta para ir à fertirrigação.
“As fazendas no Brasil por si já contribuem muito com o cuidado da água, que começa na conservação das nascentes e APPs dentro de suas áreas”, destaca. Ele também ressalta que o investimento em estruturas como calhas, tubulações, sistemas de bombeamento e tratamento permite transformar o que poderia ser um passivo ambiental em uma solução produtiva.
Segundo ele, esse processo contribui para uma agricultura regenerativa, com melhora da microbiota do solo, aumento da biodiversidade e redução no uso de insumos químicos.
Custo de implantação ainda é desafio
Apesar dos benefícios, a implementação desse tipo de sistema ainda enfrenta desafios. O principal deles, segundo Junqueira, é o custo inicial para estruturar toda a operação.
“O maior desafio é o custo de implementação, com todo seu sistema de calhas, rede fluvial até as represas de armazenamento, aeração dessa água para manutenção de sua qualidade e falta de incentivo para fomentar essas estruturas”, explica.
Ainda assim, ele avalia que o investimento se mostra viável ao longo do tempo. “Embora os custos de implantação, essa prática de reutilização da água mostra-se economicamente viável e fundamental para a atividade, aliando o aumento na produção de forragem ao cuidado ambiental”, conclui.
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