Apesar das condições que indicavam a predominância do fenômeno La Niña entre novembro de 2025 e janeiro deste ano, e um cenário de neutralidade em fevereiro, oscilações recentes na temperatura do mar passaram a indicar a transição para condições de El Niño entre abril e junho. Com essa mudança, as temperaturas tendem a subir e os volumes de chuva a diminuir em boa parte do país, com alerta para calor e seca acima da média histórica.
Clima mais quente e seco em grande parte do país
Na Região Sudeste, a transição indica predomínio de chuvas abaixo da média histórica em São Paulo e em grande parte de Minas Gerais, enquanto nas demais áreas os volumes devem permanecer dentro do esperado para o outono. Ainda assim, chuvas mais intensas podem atingir o leste da região devido ao avanço de frentes frias, que favorecem a instabilidade. As temperaturas devem ficar acima da média, com incursões pontuais de massas de ar frio, principalmente em áreas de maior altitude.
Ao Sul do país, a tendência também é de tempo mais seco, com precipitação abaixo da média climatológica, sobretudo no Paraná e em Santa Catarina. As temperaturas devem permanecer elevadas, com maior aquecimento nesses estados e no Rio Grande do Sul, embora haja influência ocasional de massas de ar frio em áreas mais altas.
No Centro-Oeste, as chuvas perdem intensidade, mas permanecem dentro do padrão esperado para o período em Goiás e Mato Grosso. Já no Mato Grosso do Sul, a tendência é de volumes abaixo da média, com predomínio de tempo seco. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região.
Já no Norte e no Nordeste, as temperaturas também devem permanecer elevadas. Estados como Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba tendem a registrar redução nos volumes de chuva. Por outro lado, áreas como Amapá, centro-norte de Rondônia, centro-sul de Tocantins, sul do Amazonas, além de partes do Pará, Maranhão e Piauí, devem ser influenciadas pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que se desloca do norte e favorece maiores volumes de precipitação, contribuindo para condições mais equilibradas.
Possíveis impactos nas safras
Na maior parte da Região Norte, a previsão de chuvas acima da média tende a favorecer o desenvolvimento das lavouras já estabelecidas, como o milho de segunda safra, além de contribuir para a manutenção das pastagens e da vegetação natural. No MATOPIBA, a combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, especialmente no oeste da Bahia, pode reduzir os níveis de umidade do solo devido ao aumento da evapotranspiração, impactando o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, principalmente milho e algodão.
Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, esse mesmo cenário pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras, sobretudo aquelas em fases reprodutivas. A menor disponibilidade hídrica, associada ao aumento da evapotranspiração, tende a reduzir a umidade do solo, favorecendo o estresse hídrico e comprometendo o potencial produtivo, especialmente em áreas com menor capacidade de retenção de água.
Na Região Sul, a previsão de chuvas abaixo da média, aliada a temperaturas elevadas, também pode reduzir a umidade do solo, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. Esse quadro pode afetar o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, dificultar o estabelecimento inicial das culturas de inverno e atrasar as operações de semeadura em algumas localidades.
As informações são do INMET, resumidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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