Especial Leite por Elas, com Fernanda Bernieri: o invisível que sustenta a produção

Na continuidade do Especial Leite por Elas, o MilkPoint apresenta a trajetória de Fernanda Bernieri, produtora à frente da propriedade Família Bernieri, em Constantina (RS). Sua história nasce dentro da própria evolução da fazenda - uma atividade que começou como renda complementar, em 1998, e que, ao longo dos anos, ganhou protagonismo.

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Na continuidade do Especial Leite por Elas, o MilkPoint apresenta a trajetória de Fernanda Bernieri, produtora à frente da propriedade Família Bernieri, em Constantina (RS). Sua história nasce dentro da própria evolução da fazenda — uma atividade que começou como renda complementar, em 1998, e que, ao longo dos anos, ganhou protagonismo. 

Figura 1

Mais do que acompanhar esse crescimento, Fernanda decidiu assumir o comando com intencionalidade: trouxe gestão, buscou conhecimento e transformou a rotina produtiva em um exercício constante de responsabilidade e resultado. “Colocar a mão na massa com responsabilidade foi a melhor decisão que tomei”, resume. Hoje a fazenda produz 650 litros de leite por dia em um sistema de semiconfinamento. 

O ponto de virada veio quando ela enxergou que havia espaço para aumentar a rentabilidade da atividade. A partir daí, puxou para si a condução das mudanças: investiu em melhoramento genético, estrutura e, principalmente, em capacitação. A evolução não veio de um único fator, mas de uma construção consistente — técnica e prática — que reposicionou o leite dentro da propriedade.

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Mais do que ganhos produtivos, o processo exigiu resiliência. Fernanda destaca que aprender a lidar com os desafios sem desistir foi essencial para seguir avançando. “Permanecer firme no que eu busco e me fortalecer cada vez mais” virou não só um princípio de trabalho, mas um posicionamento diante da atividade.

Figura 2

Essa mesma lógica aparece no conselho que ela deixa para outras mulheres do setor: buscar conhecimento, acreditar no próprio potencial e encarar os desafios com maturidade e humildade. Para ela, é nesse processo que se constrói algo maior — “consciente de que é gigante”.

Ao longo da sua trajetória, a pecuária leiteira também se tornou um espaço de afirmação pessoal. Foi ali que Fernanda encontrou terreno para desenvolver habilidades, assumir responsabilidades e alcançar metas que antes pareciam distantes. Sua história carrega um recado claro: há espaço — e necessidade — de protagonismo feminino no campo, desde que acompanhado de preparo e consistência.

Mas talvez um dos pontos mais interessantes do seu trabalho esteja na forma como ela enxerga o básico. Em suas redes sociais, Fernanda sintetiza sua filosofia em uma frase direta: “transformando água em leite”. A partir desse conceito, constrói uma abordagem prática e muitas vezes negligenciada dentro da produção.

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Para ela, produzir mais não começa necessariamente pela dieta ou pela genética — começa pelos “erros invisíveis” do manejo. E a água ocupa um papel central nessa equação.

Fernanda chama atenção para aspectos simples, mas decisivos: acesso, conforto e qualidade dos bebedouros. Segundo ela, após observações realizadas na própria fazenda, as vacas possuem seus bebedouros de preferência, respondem ao ambiente e ajustam seu consumo de acordo com o nível de conforto. Quando isso falha, o impacto é direto: menor ingestão de água, queda na ruminação e, como consequência, redução na produção de leite. “A água é o nutriente mais barato e muitas vezes negligenciado”, reforça.

Esse olhar ganha ainda mais relevância em períodos de calor, quando manter a produção se torna mais desafiador. Segundo ela, a água atua não só na hidratação, mas também como um mecanismo natural de resfriamento, ajudando a vaca a lidar melhor com o estresse térmico. Bem manejada, potencializa o desempenho; negligenciada, limita o sistema.

No fim, sua abordagem traduz bem o que define como “pecuária leiteira real, sem enrolação”: atenção ao detalhe, consistência no manejo e decisões baseadas no que, de fato, impactam o resultado.

A trajetória de Fernanda Bernieri reforça um ponto recorrente entre as histórias do Especial Leite por Elas: não existe fórmula única para evoluir na atividade. Mas existe um padrão — o de mulheres que assumem o protagonismo, buscam conhecimento e transformam a rotina da fazenda em estratégia.

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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